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10 de maio de 2012

Travessia de Barco: Manaus/AM - Belém/PA

Conseguimos nossa passagem por R$ 310,00, com as motos e tudo. Ao entrar no porto tivemos que pagar mais R$ 30,00 de pedágio. Para embarcar as motos os carregadores queriam mais R$ 50,00, mas o nosso agente que vendeu as passagens foi junto e ajudou a descer as motos, numa manobra arriscadíssima. 

Embarcamos um dia antes, e tivemos que esperar muito tempo até o barco sair. No começo tudo é muito legal, mas logo você percebe que não tem o que fazer. Piratas que somos, levamos uma garrafa de rum e uma Coca. Mas era bem cansativo, principalmente porque as redes eram coladas umas nas outras, e eram muitas redes.

Na segunda noite, numa das paradas, a Polícia Federal entrou no barco e começou a revistar as malas de todo mundo. Encontraram um grande carregamento de cocaína, e prenderam três pessoas. Na noite seguinte pegamos uma tempestade imensa. Tinha gente rezando ajoelhada no chão, e gente de colete, prontos para o pior. Depois de muito tempo ela passou, mas deixou tudo molhado, inclusive as redes.

O restaurante do barco não é horrível, mas cansa ficar comendo a mesma coisa dia e noite por tanto tempo. Os banheiros também não são horríveis, porque tem uma pessoa limpando eles várias vezes por dia.

Muita gente desceu em Santarém, inclusive os policiais e os presos. E muita gente entrou. Cada vez mais percebíamos que, apesar de ser uma experiência “interessante”, não tínhamos vontade de fazer essa travessia nunca mais.

Passamos os últimos 3 dias comendo mal, porque nossos estômagos estavam ruins, e o dinheiro tinha acabado. Depois de contornar parte da Ilha de Marajó, avistamos Belém de longe, pra nossa alegria! Cansados, com fraqueza, e muito calor, ainda tínhamos que desembarcar as motos. Esperamos todo mundo descer, o barco se posicionar de maneira mais favorável, e principalmente a boa vontade dos tripulantes. O desembarque foi fácil, os tripulantes logicamente pediram “uns 20 conto” pela ajuda (que não deixa de ser o trabalho deles, pelo qual eles já são pagos, mas como não sobrou nenhum centavo, ficaram a ver navios), amarramos tudo nas motos, e demos de cara com o portão fechado! Tivemos que esperar até amanhã, porque é domingo, e a “carga” não pode sair no domingo. Depois de um pouco de discussão, conseguimos pegar um papel com o dono do barco, que o porteiro apresentaria no dia seguinte para a gerência, e pudemos fugir de lá antes que alguém arranjasse mais um problema.

Algumas fotos de Manaus e da travessia

- Visitando a construção da Arena Amazônia, que sediará alguns jogos da Copa


- negociando as passagens...


- MUITA GENTE!


- o primeiro dia até que estava divertido...


- nosso barco, o Nélio Correa


- nossa carga


- em cada parada o barco era invadido por vendedores


- assistimos essa mesma cena umas cinco vezes...


- a polícia e as emissoras de TV esperando o desembarque dos traficantes



- a mesma paisagem por cinco dias


- os ribeirinhos amarravam suas canoas no barco em movimento e subiam para vender frutas


- nosso amigo, o Maranhão


- Açaí, muito açaí!


- finalmente, no quinto dia de viagem, Belém!


- Belém


(Por Caio Volcoff)

1 de maio de 2012

Manaus

Passamos uma semana em Manaus, lavamos as motos, consertamos alguns probleminhas (cabo de velocímetro, setas quebradas, embreagem patinando), e trocamos os pneus de volta (demos os de trilha como pagamento pelo serviço). Os pneus antigos vieram pelo correio. Saíram de Marabá um dia antes de nós, e chegaram alguns dias depois. E olha que nós fomos pelo pior caminho!

Aproveitamos também para fazer um passeio mais cultural, e fomos ao Teatro Amazonas assistir a uma ópera de 4 horas de duração(!).

Depois de deixar as motos em ordem fomos ao porto pesquisar preços de barco para Belém. Não tínhamos muita idéia de valor, mas tinham nos falado algo em torno de R$ 500 para levar cada moto. O porto é um lugar fedido, cheio de comerciantes, camelôs e barracas. Quando eles vêem um turista, já correm para tentar empurrar algum passeio ou produto. Depois de sermos abordados por muitos elementos suspeitos, chegamos numa "agência de viagens" que era uma barraquinha na calçada que parecia ser um pouco mais honesta. Conseguimos fechar a viagem por R$ 310 cada, com moto e tudo. Pagamos metade e ficamos de pagar o resto no embarque (mais a taxa de R$ 30 de embarque). O barco sai na quarta, às 15h, mas vamos embarcar na terça para garantir a vaga das motos e pendurar nossas redes. Portanto, só devemos conseguir dar mais notícias daqui a uns 4 ou 5 dias.

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- Ponta Negra - praia alagada, porque o rio estava mto cheio


- Praia


- Praia artificial ainda sendo construída



- vai ter show do Fabio Jr, mas vamos estar no barco... =/

- ponte sobre o Rio Negro


- enfrentando muito trânsito no shopping


- Ajuste na embreagem da Ténéré


- chopp no centro histórico de Manaus

- Teatro Amazonas


- foto tirada especialmente para a Paulinha


- aguardando ansiosamente o início da ópera de 4h



- "Champagne no Camarote 5, por favor"



(Por Caio Volcoff e Alex Briatte Mantchev)

26 de abril de 2012

Vídeos Transamazônica - BR 319

Alguns vídeos do trecho Transamazônica - BR 319







BR-319 - RELATOS E FOTOS


Depois de completar a Transamazônica, encaramos outro desafio, a BR-319. Não muito conhecida, essa rodovia foi feita na década de 70 e algum tempo depois abandonada. Dizem que foi feita as pressas, e realmente percebemos que em todo trecho do seu velho asfalto, por baixo dele só há terra e nenhum tipo de cascalho. Essa estrada liga, mesmo que de forma precária, Porto Velho - RO a Manaus - AM. Entramos nela de Humaitá - AM, nos informaram que o trecho de Porto Velho a Humaitá esta transitável.

Esperávamos encontrar nela os atoleiros que não pegamos na Transamazônica e passar perrengues tão sonhados na selva amazônica. Pois bem, para nossa felicidade foi isso mesmo que aconteceu!!! Saímos de Humaitá com 10 litros a mais de gasolina para a DR e 6 litros para a Ténéré. A estrada começou com asfalto bom, dali uns quilómetros o mato começou a engolir meia pista, quando nos demos conta acabou o asfalto e começaram os atoleiros. andamos uns 40 km enfrentando esses que seriam os primeiros de centenas de lamaçais.

- Início da BR-319


- Atoleiros



- Mais atoleiros




No km 100 paramos no Vilarejo chamado Realidade. Lá tomamos uma cerveja e compramos gasolina a R$ 4,50 o litro. Completamos os tanques das motos e seguimos viagem. Dali uns quilometros, uma chuva torrencial nos pegou de surpresa, a estrada então de terra ficou escorregadia, uma terra compactada com um limo verde fazia agente suar pra não deixar as motos cairem.

- "Posto de Gasolina" no quilômetro 100 da BR-319 no Vilarejo Realidade. Gasolina a R$4,50 o litro.


-  Tomando uma cerveja no Vilarejo Realidade


- Capa do CD


- Floresta engolindo a estrada


- Procurando o caminho...


- Colombiano que saiu de Manaus em direção a Porto Velho de bicicleta


- Posto de Gasolina abandonado


- Atoleiro instantes antes da tempestade..


- Logo após o 1º tombo

Depois de uns 80 km e encontrar com alguns porco-espinhos no caminho, paramos para ver uma ponte e percebemos que o pneu traseiro da DR estava vazando. Seguimos sem perder tempo até uma das torres da embratel para passarmos a noite.Seria mais seguro pois essas torres são cercadas e ficariamos assim mais protegidos contra possíveis onças.

- Acampamento na Torre da Embratel



Acordamos e decidimos continuar, colocamos nossas roupas dentro do pneu e amarramos o mesmo no aro. De forma heroica o Caio levou a DR por uns 20 km com o pneu preenchido com nossas roupas, e em algumas pontes nos restava uma madeira apenas para atravessar por cima, sem correr o risco de passarmos por pregos ou pelas velhas vigas que atravessavam as mesmas.

- Final heróico para a camiseta do Raul. R.I.P.



- Moto pronta pra 'bater roupa'

Depois de umas 3 horas andando assim encontramos uns caçadores que tinham uma bomba de encher pneus. Foi a nossa salvação!!! Colocamos a câmara reserva da Ténéré, que é aro 18, a DR é 17, enchemos e voltamos a luta. Depois de mais inúmeros atoleiros chegamos ao vilarejo Igapó-Açú. Jantamos e montamos as redes na varanda do restaurante.

- Cobra no meio da estrada. Quando vimos fui brecando.. ela levantou metade do corpo, escorreguei e caí pertinho dela.


 - Chão traiçoeiro, muito escorregadio


- Crianças de Igapó-Açu


- Abrigo para nossas redes no último dia da BR-319


No dia seguinte compramos 4 litros de gasolina no vilarejo, por R$ 5,00 o litro, e atravessamos a balsa e seguimos com a estrada ruim por mais uns 40 kms. Diminuiram os atoleiros, mas os buracos e o piso escorregadio continuavam. Mais uns quilómetros a frente pegamos outra balsa que cabia apenas as duas motos. Ali abastecemos um pouco as motos (R$ 4,50 o litro) e qdo nos demos conta o asfalto bom anunciava que haviámos conseguido, vencemos a BR-319!!! Paramos para almoçar em uma cidade a uns 100 km de Manaus, dali mais 60 km, o pneu já comprometido da DR furou denovo. Andamos mais uns 20 kms com o pneu furado até achar um borracheiro. Pneu cheio denovo, chegamos na balsa para Manaus no fim do dia.

- Final da estrada?



- lama 'seca'


- Balsa sob medida para motos


- Manaus!


- No conforto da casa da Tia Cecilia e Tio James, em Manaus.


(Por Caio Volcoff e Alex Briatte Mantchev)